O Bem-Me-Quer é um projeto cujo objetivo maior é contribuir para a diminuição dos preconceitos e das discriminações e a melhoria da convivência entre crianças e adolescentes brasileiros, promovendo uma educação de respeito e valorização à diversidade.
Dentro desse contexto, os temas com os quais o Bem-Me-Quer trabalha com mais profundidade são: raça/ etnia, regionalismo, religião, gênero, orientação sexual, deficiências e classe social, e serão realizadas diversas atividades, em diferentes segmentos, para trabalhá-los com as crianças e adolescentes.
Apesar da falsa democracia relativa à diversidade pregada por muitos atores da sociedade, há dados preocupantes relativos à realidade de milhões de pessoas em todo o país. Muitas delas sofrem o preconceito e a discriminação por sua cor, seu gênero, sua orientação sexual, sua condição física, mental, ou intelectual, sua renda, o lugar onde nasceu ou o local onde mora, a religião que procura seguir, e outros. Infelizmente, sobram exemplos que ilustram essa situação em todo o país, como brigas de gangues, assassinatos de negros, homossexuais, índios e mulheres, ataques a centros de umbanda e candomblé, e muitos outros.
É de fundamental importância trabalhar com esta temática no Brasil porque, apesar desse mito da democracia e da convivência pacífica, sabe-se que, na prática, não é essa a realidade dos fatos. Para quebrar tal mito, basta que se analise os dados relativos à presença de mulheres, negro(a)s e pessoas com deficiência no mercado de trabalho, por exemplo. Todos apontam para uma sociedade extremamente segmentada, onde aqueles que fogem de determinado padrão sofrem uma séria exclusão social.
Considerando-se o universo escolar, a título de ilustração, não podem ser ignorados os dados relativos ao crescente aumento da violência entre crianças e adolescentes nesses espaços. Estudiosos e pesquisadores da área afirmam que as causas externas para o aumento de mortalidade entre jovens é o item que mais cresce no país, e, dentro dessas causas, encontra-se justamente a não-aceitação e a intolerância com relação a características físicas, sócio-econômicas, intelectuais ou culturais, tão diferentes dentro das salas de aula do país.
Trata-se de uma realidade que precisa sofrer, urgentemente, uma forte intervenção social. Em um país que se declara rico e democrático em sua diversidade populacional, e que de fato tem um grande potencial de uma cultura de respeito e valorização a essa diversidade, inserido em um mundo onde grande parte dos esforços tem convergido para o respeito aos direitos humanos e à paz, não há mais razões culturais, sócio-econômicas ou políticas que justifiquem a discriminação de mulheres, negros, pessoas de diferentes religiões, pessoas com deficiências físicas e mentais, pessoas do interior, da periferia ou outros.
Trabalhar o tema com crianças e adolescentes é importante porque é principalmente nessa faixa etária que são construídos muitos valores. Sensibilizá-los agora pode significar uma sociedade mais preparada para aceitar as diferenças amanhã.
O projeto foca as suas ações na cidade de Brasília, e trabalha com três linhas principais: CULTURA, EDUCAÇÃO E MÍDIA. As atividades previstas dentro delas são as seguintes:
Em Brasília, serão realizadas, ao longo do projeto, diversas atividades culturais, como teatro, exposições interativas, mostras de cinema, musicais e outros, que demonstrarão as diferentes realidades vividas pelas crianças e adolescentes no Brasil. O objetivo principal é apresentar a diversidade de realidades de crianças e adolescentes por meio dessas manifestações artísticas, para que esse público conheça as diferenças existentes de maneira positiva e, com isso, aprenda a respeitá-las e valorizá-las.
Será produzida uma série de dez livros infantis com os temas abordados pelo projeto, e os livros serão adaptados para crianças e adolescentes de diferentes faixas etárias. Eles comporão a chamada “Coleção Bem-Me-Quer”, que será distribuída não somente em Brasília, mas em todo o país.
Esses livros inserirão os pais na questão da sensibilização para o não-preconceito e a não-discriminação, tendo em vista que eles lerão as histórias para seus filhos ou os auxiliarão na leitura.
Além disso, os livros apresentam uma outra importância ao projeto: eles serão componentes de auto-sustentabilidade, pois determinada quantidade será distribuída gratuitamente às escolas públicas, mas outra quantidade será comercializada, gerando renda para o projeto.
A capacitação dos educadores nasce do fato de que estes serão os principais responsáveis, ao longo do projeto, em trabalhar no espaço escolar a promoção e valorização e do respeito à diversidade. Pretende-se oferecer a eles ferramentas e idéias para que possam levar para dentro e fora dos portões da escola a promoção desses valores. Eles serão incentivados a desenvolver atividades que possam envolver, além dos alunos, seus pais e a comunidade em que estão inseridos.
As capacitações serão realizadas pela Universidade de Brasília, e terão duração de 16 horas (dois dias), e serão realizadas em todas as cidades por onde passarão as atividades culturais.
Outro enfoque das capacitações é instruir os educadores a serem guias de seus alunos durante as atividades culturais. O objetivo é que eles possam trabalhar a temática da diversidade antes e depois de cada uma delas e dar um trabalho de continuidade nas escolas.
Trata-se de um sítio na Internet que conterá as principais informações do projeto para o público em geral, como os pais, a imprensa e organizações que tenham interesse em parceria com o projeto, e, ainda, atividades lúdicas e interativas para crianças e adolescentes, sempre no sentido de promover e valorizar a diversidade em todas as suas esferas.
O projeto Bem-me-Quer conta, ainda, com um espaço de capacitação continuada para os educadores. Trata-se do sítio Unidade na Diversidade (www.unidadenadiversidade.org.br), a que os educadores já podem ter acesso. O portal será divulgado para que eles possam continuar o seu trabalho em sala de aula utilizando os materiais e subsídios disponíveis no portal.
O sítio é fruto da parceria do Bem-Me-Quer com o Fórum Nacional de Educação em Direitos Humanos, organização responsável pelo projeto Unidade na Diversidade, cujos objetivos são os mesmos do Bem-Me-Quer. Já foram desenvolvidas e disponibilizadas ferramentas para os educadores, mas a parceria possibilitará a ampliação dessa oferta e um conseqüente enriquecimento no trabalho de todos em prol da redução de preconceito e discriminação entre crianças e adolescentes no nosso país.
Importantes empresas da área de comunicação são parceiras do projeto, como a rede Globo de Televisão, a agência de publicidade Giacometti e a ANDI – Agência de Notícias dos Direitos da Infância. Esses parceiros auxiliarão na divulgação nacional do projeto, com a veiculação de campanhas de valorização e respeito à diversidade.
O projeto conta com uma grande pesquisa de avaliação do impacto das atividades culturais nas crianças e adolescentes. Ela será composta pela criação de uma metodologia de Avaliação do Impacto de Intervenções de Diversidade e de Inclusão que, além de ser utilizada para a coleta de dados, poderá ser utilizada em intervenções futuras, que visem o levantamento e monitoramento de intervenções de inclusão e diversidade. Com base nisso, serão realizados um levantamento e descrição do público atingido, assim como das expectativas sobre as ações de inclusão a serem adotadas.
Essa pesquisa também buscará avaliar os impactos do projeto nos grupos de professores capacitados e como eles conseguiram multiplicar, em suas escolas, famílias e comunidades, os valores apresentados e trabalhados nas atividades culturais e capacitações.